30 de ago de 2010

Sayadieh, o sabor da Jordânia




Atravessamos o mar vermelho da cidade de Nuweiba no Egito em direção a Aqaba na Jordânia, e em apenas 1 hora tudo mudou, os jordanianos são amigáveis, o país parece ser mais organizado, as pessoas sorriem para nós, querem saber de onde somos, sobre nossa cultura, elogiam nosso futebol.. E claro, o sabor da comida também mudou, para mim, para melhor.
Já quis provar logo o prato famoso da região de Aqaba, o Sayadieh, um arroz com canela e cominho, pedaços de peixe, amêndoas torradas e um molho de peixe com tomate e cebola para "regar" o prato, foi divinal!
Para acompanhar, coalhada seca com páprica e salada Fatouch.
Das melhores refeições até agora.
Parece que vou me divertir muito por aqui, estamos a caminho de Wadi Rum para passar uma noite no meio do deserto e depois seguiremos para Petra.


Açúcar na veia!





Eu já enlouqueci com os doces árabes, as docerias do Egito após o jantar, ficam lotadas, fazem fila na porta, me pareceu um evento que acontece todas as noites, um happy hour, onde todos se encontram para conversar sobre a vida, fofocar e enquanto isso, mandam ver nos docinhos.
Eu não sou uma formiguinha, mas os doces daqui além de deliciosos, são lindos e enormes!
É fácil comer com os olhos, então lá fui eu numa empreitada bem difícil de degustar 1 a 1 destas maravilhas. Pistache, nozes, mel, tudo tem um sabor intenso, realmente fantástico... cheguei a conclusão que nossos doces árabes aí do Brasil não chegam nem aos pés dos daqui..






Por aqui também é fácil encontrar algumas frutas deliciosas, as mangas são incríveis e eles fazem o melhor suco de manga de sempre, muito refrescante para o calor de 45ºC do momento. Eles também bebem caldo de cana (não tão bom quanto o nosso) e um suco/vitamina delicioso, feito com suco de manga, suco de morango, e pedaços de banana, um oásis no meio deste calor quase infernal!






22 de ago de 2010

Souk Khan El-Khalili

Estamos no fantástico mercado de Khan El-Khalili em cairo, o maior da cidade.
Já são 18:30hs, o alto falante da mesquita anuncia que já podemos começar a comer e beber.
Para começar tem que ser algo leve, tâmaras, suco de tamarindo, homus, pão árabe...

Deliciosas e doces, as tâmaras são colhidas das tamareiras na beira do Rio Nilo.

Pronto para o desjejum, com a mesquita de Khan El-Khalili ao fundo.


Menino vende pão árabe no souk.


Pózinhos coloridos viram suco de manga, morango e tamarindo.
O "tang" do Egito.

No meio do Ramadã

Começamos a nossa jornada pelo Oriente Médio.

Sem querer querendo, chegamos aqui no Egito no meio do Ramadã.

Ou seja, do amanhecer do dia até o pôr-do-sol, todos os restaurantes, cafés, mercados,.. ficam fechados e só abrem às 18:30 para servir o "café-da-manhã" deles, e aí é uma "festa", muita comida, bebida, cigarro e shisha (narguilé) até às 4:00hs, quando finalmente ele vão dormir.

Dia seguinte tudo igual, durante 1 mês os países islâmicos mudam sua rotina, as crianças estão de férias, o calor é mais que calor, e derretedor.

Eu sou esfomeada, não posso ficar muitas horas sem comer que já me dá mau-humor, quem me conhece já viu que mau que é esse humor!

Então imagine 47ºC às 16hs, eu com fome e sede e Cairo parece não estar nem aí para mim.

Encontramos um mini shopping center. Um oásis no meio do deserto! As 40 lojas de sapatos e bolsas (todas iguais, da mesma marca) estavam abertas! Não havia ninguém comprando, mas para mim tudo já parecia miragem e quando olho para cima vejo um grande M amarelo! Nããão acredito!!!!

O Mc Donald´s nunca me pareceu tão apetitoso, tão refrescante, comida + ar-condicionado. Como pode estar vazio?! Éramos os únicos clientes e por um instante até me senti mal de comprar uma bela porcariazinha daquela e devorar na frente dos empregados mulçumanos que jejuavam há 12hs.

Já que me rendi à mafia vermelha e amarela, pelo menos fui experimentar algo diferente, pedi o Mc Arabia Kofta! Pão árabe, com 2 kaftas dentro, molho de yogurte e….batata-frita!



Não pretendo matar minha fome durante todo o Ramadã com Mc Kofta, então estou me preparando piscologicamente e quem sabe tentar aderir ao jejum forçado.

Mas o que eu quero mesmo é que chegue logo às 18:30 para eu poder experimentar o Koshary, a comida típica do Egito, um arrozinho árabe com lentilhas, macarrão, cebola e grão de bico frito, molho de tomate e pimenta.

Aí sim vou matar a minha fome!


18 de ago de 2010

Stellenbosh



A África do Sul já está há alguns países para trás, mas não posso deixar de falar sobre a região de Stellebosch, que para os amantes de vinho como eu, é um paraíso.
Uma das maiores rotas de vinho do mundo, com algumas vilas charmosas (ao estilo francês) pelo meio do caminho.
Fiz uma visita guiada à 6 vinícolas. O passeio começou às 09hs da manhã, e o meu café-da-manhã foi uma bela taça de Pinotage 2006. Começei bem, em cada casa provei cerca de 6 vinhos, alguns excelentes outros nem tanto. Após 3 casas e 18 taças de vinho depois, quando já estávamos todos mais prá lá do que prá cá, o guia sugere uma degustação de queijos regionais do tipo "Brie, Feta, Cammenbert..." Era tudo que eu precisava, pelo menos para conseguir lembrar meu nome...
Seguimos para as outras casas, eu já não sabia distinguir um Chardonnay de um Merlot, foi muita informação de uma vez só, muitos sabores, bebi pouca água, não comi quase nada, ou seja, fiz tudo errado.
Fica a dica para quem for fazer uma visita destas, faça o que eu digo, não faça o que eu faço.
Voltei para o hotel com uma ressaca e não pude nem sentir cheiro de vinho por uma semana. Patético!
Mas eu juro, Stellenbosch definitivamente mereçe uma vista!





A fantástica fábrica de camarão



Sim!
encontrei o tal camarão tigre!
e para minha alegria ele não estava sozinho,
as amêijoas,
os lindos peixes do Índico,
as lagostas e lagostins,
estavam todos no fantástico mercado de peixe de Maputo
tirei uma foto para comprovar,
não comi só 1,
comi até dizer chega
não sei quando volto aqui novamente...
estes moçambicanos é que são sortudos
o mar deles é que tá para peixe
ou melhor, tá para camarão.

11 de ago de 2010

Muita estrada para pouco camarão

Demorei mas apareci!
Os últimos dias foram de muita aventura, muita estrada e pouca comida.
Atravessamos o Zimbabwe com destino à Moçambique utilizando todos os meios de transporte possíveis, foi uma espécie de festa estranha com gente esquisita, no blog do Marcão tem um post sobre a epopeia que foi esta viagem e com todos os detalhes que ele nunca esquece… http://www.blogontheroad.com/blogontheroad/Blog/Entradas/2010/8/4_Só_quero_ir_à_praia%2C_bananas_e_coincidências.html
Após quase 3 dias de viagem finalmente chegamos na vila de Vilankulo, mais para o sul do país, a praia é paradisíaca, a água é cristalina, parece muito com as praias do nordeste do Brasil, mas a água é mais linda ainda.
Eu vim atrás dos camarões-tigre de Moçambique, mas de tigre ainda não vi nada…Disseram que este tipo de camarão só dá lá pra o norte, há uns 600km daqui….vou ter que me contentar por enquanto com as toneladas de caranguejos que eles comem nesta vila, mas não vou descansar enquanto não devorar o lindo camarãozinho que pesa quase 300gr cada um.

Já com saudades de cozinhar, pensei em fazer um belo peixe na brasa para o jan
tar, então fui até o "mercadão" da vila, lugar interessante por sinal, lá encontra-se de tudo, desde tomate até sabão em pó, passando por roupas, sapatos, bêbados, caranguejos, legumes, crianças chorando, dvd do Jackie Chan, bebidas alcoólicas, rádio-relógio, bananas, muitas bananas, mais bêbados e até um cineminha!
Mas só encontrei peixe seco, tipo bacalhau salgado, como por aqui a energia ainda é um luxo, eles salgam os peixes, camarões e lulas, pois só assim os alimentos duram até 90 dias sem precisar de geladeira.


No mesmo mercado, encontrei uma senhora chamada Dina, fazendo uns bolinhos chamados
Badia muito famosos por aqui, é praticamente o nosso bolinho do acarajé, feijão fradinho no pilão com um pouco de água até virar uma pasta, mas aqui ele é frito no óleo normal e não no óleo de dendê e também aqui não se recheia com nada, aliás, ele é que vira recheio, eles comem o bolinho dentro de um pão, assim sem nada mesmo, pão pão, badia badia!! Quem sou eu para querer tentar mudar a tradição daqui, mas eu tentei explicar para ela que se rechear com camarão, pimenta, ou qualquer coisa do tipo, fica delicioso, mas ela achou muito estranha a nossa versão do bolinho
e achou melhor nem arriscar, abriu mais um pão, mais uma badia pra dentro e mandou ver!


Outro prato típico de Moçambique é o Mataba, feito com folha de feijão, leite de côco e amendoim em pó. Eu achei tão bom que voltei na casa do Moha, onde tinha comido mataba no dia anterior, para aprender como se faz, ele me recebeu com o maior carinho, adorou a idéia, logo me apresentou para as cozinheiras, pedindo para que elas sorrissem para as fotos, pois a partir de agora elas ficariam famosas no Brasil!
O prato aqui dá trabalho para se fazer, pois elas têm que preparar toda a matéria prima, ralar muito côco, jogar água quente, espremer e "tirar" o leite do côco. Depois elas utilizam o pilão (bem pesado por sinal) para pilar o amendoin cru, até virar pó. Misturam o amendoim em pó com o leite de côco, fica um creme. A folha de feijão, é picada e refogada com cebola e tomate, depois adicionar o leite de côco com amendoim por cima e cozinhar por umas 2 horas até ficar bem cremoso.
Se alguém quiser tentar fazer, pode usar couve ao invés da folha de feijão, que eu nunca tinha visto antes e não sei se é possível encontrar no Brasil.



Mandarei mais notícias de Maputo e espero que com uma bela foto do tal camarão-tigre!