11 de ago de 2010

Muita estrada para pouco camarão

Demorei mas apareci!
Os últimos dias foram de muita aventura, muita estrada e pouca comida.
Atravessamos o Zimbabwe com destino à Moçambique utilizando todos os meios de transporte possíveis, foi uma espécie de festa estranha com gente esquisita, no blog do Marcão tem um post sobre a epopeia que foi esta viagem e com todos os detalhes que ele nunca esquece… http://www.blogontheroad.com/blogontheroad/Blog/Entradas/2010/8/4_Só_quero_ir_à_praia%2C_bananas_e_coincidências.html
Após quase 3 dias de viagem finalmente chegamos na vila de Vilankulo, mais para o sul do país, a praia é paradisíaca, a água é cristalina, parece muito com as praias do nordeste do Brasil, mas a água é mais linda ainda.
Eu vim atrás dos camarões-tigre de Moçambique, mas de tigre ainda não vi nada…Disseram que este tipo de camarão só dá lá pra o norte, há uns 600km daqui….vou ter que me contentar por enquanto com as toneladas de caranguejos que eles comem nesta vila, mas não vou descansar enquanto não devorar o lindo camarãozinho que pesa quase 300gr cada um.

Já com saudades de cozinhar, pensei em fazer um belo peixe na brasa para o jan
tar, então fui até o "mercadão" da vila, lugar interessante por sinal, lá encontra-se de tudo, desde tomate até sabão em pó, passando por roupas, sapatos, bêbados, caranguejos, legumes, crianças chorando, dvd do Jackie Chan, bebidas alcoólicas, rádio-relógio, bananas, muitas bananas, mais bêbados e até um cineminha!
Mas só encontrei peixe seco, tipo bacalhau salgado, como por aqui a energia ainda é um luxo, eles salgam os peixes, camarões e lulas, pois só assim os alimentos duram até 90 dias sem precisar de geladeira.


No mesmo mercado, encontrei uma senhora chamada Dina, fazendo uns bolinhos chamados
Badia muito famosos por aqui, é praticamente o nosso bolinho do acarajé, feijão fradinho no pilão com um pouco de água até virar uma pasta, mas aqui ele é frito no óleo normal e não no óleo de dendê e também aqui não se recheia com nada, aliás, ele é que vira recheio, eles comem o bolinho dentro de um pão, assim sem nada mesmo, pão pão, badia badia!! Quem sou eu para querer tentar mudar a tradição daqui, mas eu tentei explicar para ela que se rechear com camarão, pimenta, ou qualquer coisa do tipo, fica delicioso, mas ela achou muito estranha a nossa versão do bolinho
e achou melhor nem arriscar, abriu mais um pão, mais uma badia pra dentro e mandou ver!


Outro prato típico de Moçambique é o Mataba, feito com folha de feijão, leite de côco e amendoim em pó. Eu achei tão bom que voltei na casa do Moha, onde tinha comido mataba no dia anterior, para aprender como se faz, ele me recebeu com o maior carinho, adorou a idéia, logo me apresentou para as cozinheiras, pedindo para que elas sorrissem para as fotos, pois a partir de agora elas ficariam famosas no Brasil!
O prato aqui dá trabalho para se fazer, pois elas têm que preparar toda a matéria prima, ralar muito côco, jogar água quente, espremer e "tirar" o leite do côco. Depois elas utilizam o pilão (bem pesado por sinal) para pilar o amendoin cru, até virar pó. Misturam o amendoim em pó com o leite de côco, fica um creme. A folha de feijão, é picada e refogada com cebola e tomate, depois adicionar o leite de côco com amendoim por cima e cozinhar por umas 2 horas até ficar bem cremoso.
Se alguém quiser tentar fazer, pode usar couve ao invés da folha de feijão, que eu nunca tinha visto antes e não sei se é possível encontrar no Brasil.



Mandarei mais notícias de Maputo e espero que com uma bela foto do tal camarão-tigre!

Um comentário:

  1. êêê...já tava com saudades de ficar com agua na boca... dos sabores do mundo...
    adorei a receitinha.... vou precisar muito delas...ainda mais agora que tenho que inventar uma nova a cada jantar... meus meninos é que adoram...

    bjos grandes CÁ...

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